Faça um investimento com propósito


Muitos me perguntam sobre quais são os melhores investimentos de curto, médio e longo prazos. Com a taxa Selic em queda, os investimentos em renda fixa ficaram pouco interessantes? O Tesouro Direto é uma boa? Devo investir em fundos? Eu respondo que depende do seu propósito.

Recomendo que, antes de investir para a realização dos seus objetivos financeiros, comece criando uma reserva para emergências que servirá para enfrentar um período de desemprego, por exemplo, ou uma doença na família. O ideal é que essa reserva seja de um montante equivalente a seis vezes o valor de seu orçamento mensal.

Pois bem, mas quanto este trabalhador deve investir por mês para formar esta reserva? O valor do investimento mensal vai depender de alguns fatores. Primeiro encontrar um espaço no orçamento para incluir este aporte mensal e, dependendo do valor que se puder investir por mês, calcula-se o prazo necessário para alcançar este montante.

Seguindo nosso exemplo, suponhamos que aquele trabalhador fez seu apontamento de despesas, identificou itens dos gastos que podia eliminar e outros reduzir e concluiu que pode investir por mês o equivalente a 10% da renda líquida, inicialmente (algumas pessoas conseguem destinar 20%, 30% e até mais) e vai investir R$ 173,63. Se utilizarmos a fórmula da independência financeira, considerando que o nosso trabalhador aqui do exemplo não possui nenhum aporte inicial, considerando também que esta parcela seja corrigida em 5% a cada ano (previsão de inflação e/ou reajuste salarial) e considerando ainda um rendimento médio mensal de 0,6%, ele atingiria este montante em 4 anos.

Mas há uma ponderação a fazer antes de tratarmos das modalidades de investimento indicadas para este tipo de reserva. Devemos projetar qual seria o salário ideal daqui a 48 meses no caso do nosso exemplo, que preservasse o mesmo poder de compra atual. Vamos considerar um cenário de inflação máxima de 5% ao ano neste período, devemos então corrigir os R$ 10 mil para aproximadamente R$ 12 mil, para alcançar este objetivo nosso exemplo deve fazer uma aporte mensal de aproximadamente 12% da renda líquida, perto de R$ 210,00.

Agora podemos falar em modalidades. Pelo objetivo, este investimento deve ter liquidez imediata, deve-se procurar por investimentos que aliem segurança e rentabilidade. Em termos de rentabilidade, a poupança é o pior, pois diante da Selic em 4.5% aa, ela está rendendo 3,5% aa (desde 2012 vale a regra que sempre a a Selic estiver abaixo de 8,5% aa, a poupança rende 70% da Selic).

As melhores opções são o Tesouro Selic, que mesmo com incidência de IR regressivo é mais vantajoso que a poupança. Também os CDBs, LCAs e LCIs de bancos pequenos e médios (são garantidas pelo FGC até R$ 350 mil por CPF e por instituição, limitado a R$ 1 milhão).

Estes últimos geralmente precisam de aportes iniciais maiores e possuem alguma carência, são baseados na taxa CDI que fica sempre muito próxima da Selic. É possível encontrar CDBs com rentabilidade de 100% do CDI, ou maior, em bancos pequenos e médios por meio de corretoras independentes, os grandes bancos ofertam bem abaixo.

Para os investimentos de médio e longo prazos, vale investir e pesquisar Fundos de Investimento, sejam eles Multimercado ou de Renda Fixa. Mas fique atento às taxas de administração e de performance para que o investimento seja vantajoso para o período que pretende mantê-lo.

Tenha em mente que variar a cesta de investimentos e sempre a melhor forma de garantir boa rentabilidade e até alguma liquidez, diante dos mais diversos cenários econômicos e frente aos mais variados sonhos e objetivos.

Por fim os fundos de investimento. Pode-se conseguir rentabilidade parecida em fundos multimercado, por exemplo, mas fique atento à taxa de administração, se for maior que 0,5% ao ano pode comprometer a rentabilidade. Vale lembrar também que os fundos não são garantidos pelo FGC-Fundo Garantidor de Crédito.

A melhor estratégia a adotar para otimizar seus investimentos é investir em conhecimento

Posts Em Destaque
Posts Recentes